Ao invés de fechar as mãos e levá-las compulsivamente de encontro à parede, preferi papel e caneta. Nos momentos em que a raiva toma posso dos sentidos por inteiro as pessoas parecem perfeitamente iguais, por isso me fascinam os marginais de compulsão, afinal engolir calado sempre foi quase tão difícil quanto pensar. Constantemente me questiono sobre o que realmente somos ou para que fomos feitos e estanco sempre que penso na perfeita simetria que é a vida. Talvez seja apenas parte do fluxo, ou porque quer muito Deus... Pois que assim seja.
Graças a Deus então, que ainda não temos boas explicações para os sentimentos, uma vez que inexplicáveis, podem muito bem as minhas idéias terem algum sentido quanto a eles. Supus então que fosse genético, embora sem muito sentido, no momento dessa “descoberta”, levantei para o céu as mãos que Deus me deu e, mais irônico que antes, agradeci a ele por eu ser recessivo, por ele ter concedido a mim e a mais alguns outros a tarefa que supostamente Lhe cabe. Agora eu e mais uns outros temos de salvar o Vosso mundo. “Mas Deus, nem Jesus, nem mesmo Ghandi conseguiram, como nós...?”
Deixemos isso de lado. Mesmo não tendo socado a parede antes, alguns minutos depois não me contive. Os minutos, pra ser mais exato, não era a melhor forma de representar o tempo, a demora foi tocar no rádio like spinning plates. Logo em seguida, como se a última não me bastasse, dollar and cents me fez sair de mim. Baixar a cabeça sobre a folha foi incontinente, encharcá-la foi conseqüente. Reli todo o texto e percebi que, por mais que a caneta e o papel fossem as armas preferidas por mim, ainda não me eram suficientes, não precisavam minha revolta, não por não ter sido bem disparada, estava apenas muito spreada, era muito divergente, mas não convergia o suficiente, e como um texto não precisava obedecer qualquer lei física, eu podia fazer isso. O fato é que eu preciso mirar apenas a uma pessoa, preciso agora convergir, mas eu nunca fiz isso, nunca fui assim e temo nunca um dia ser.